Roubar, crime ou pecado?

Era uma vez, um dia nublado de cor azul marinho, flores, pipoca, bicicleta, pessoas, muitas pessoas. Movido por uma força incondicional, vinha serpenteando as ruas rumo ao terminal. Atravessei, parei, e vi um povo arretado gritando e imobilizando um homem que a poucos segundos tentou furtar uma mulher dentro de uma loja esquisita cuja eu não consegui identificar do que se tratava nem a loja nem a natureza do roubo. Desde os primeiros aos sucessivos gritos, por muito paradoxal que seja, parecia uma situação tranquilizadora. Qualquer um conhecedor dos pormenores da vida insinuaria que o homem tinha esquartejado um, dentro do cubículo. 

Vaias. Sangue quente. Justiça. Justiça pra que te quero? A quem diga que o rapaz, sem oportunidades, sem consciência merece perdão. A questão não é se ele merece perdão ou não, a questão é que ele roubou alguém, e, alguém, que com certeza não é eu e nem você, tem que pagar por essa lamentável decisão. O perdão tarda mas não falha, tecnicamente falando. A justiça tarda, mas pode falhar. É sabido que perdão e justiça são duas palavras que não se batem, não só esteticamente/foneticamente e o diabo a quatro falando, mas pensando longe nessa bagatela, se há perdão não há justiça e se há justiça não há perdão ( teoricamente). Abençoado seja o ladrão que for perdoado, e perdoado seja o ladrão que for abençoado. Vamos gracejar mais um flagrante da impunidade, um sustento ao peso da balança, uma pedra no sapato que faz calo, e não cura e nem vai. Se meus instintos não me enganam, o sujeito vai voltar a cometer o ato. Óh, onde está a próxima vitima penosa?

Em um minuto ele era imobilizado, 2 minutos pessoas gritavam por socorro, 4 a polícia chegava, 5 eles prosavam com o detido, 7 o delinquente saia andando xingando a mãe de todo mundo que estava pela frente e aos15, eu, refletia no ônibus sobre a impunidade no Brasil.


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